Acordo entre os governos ITALIANO e brasileiro. Enquanto o primeiro selecionava a mão de obra, o outro custeava as despesas de viagem e distribuía as famílias em novos empregos.
1880: às vésperas da Lei Áurea, o preço dos escravos era elevadíssimo. Ficou mais barato importar mão de obra da Europa. Ocorrem, então, as grandes correntes migratórias para o Brasil. Até 1910, os italianos tinham liderança no processo migratório. A maioria desembarcava em Santos e se alojava na Hospedaria dos Imigrantes. Entre 1891 e 1900, entraram no país 1.129.000 trabalhadores europeus, dos quais 690.375 eram italianos.
As famílias, que vinham para o Brasil, quase sempre pertenciam às camadas mais pobres da população européia. Eram camponeses, artesãos, operários, pequenos comerciantes, apenas um ou outro homem de negócios.
Inicialmente, as famílias eram encaminhadas para as fazendas de café. Porém, a relação com os patrões era permeada pela violência da tradição escravocrata e fazia com que muitos imigrantes, frustrados, voltassem aos seus países de origem depois de alguns anos e outros tentassem a sorte nas cidades.
Por volta de 1910, os grandes fazendeiros já tinham consciência do significado da mão de obra estrangeira. Com o trabalho livre, a produção do café cresceu assombrosamente. Eram necessários 300.000 trabalhadores para cuidar do café e havia 750.000 pessoas. O excesso de mão de obra prejudicou ainda mais os imigrantes. Criou-se, então, uma nova política de colonização por pequenas propriedades, como no sul do país, porém em menor proporção. Criaram-se as colônias agrícolas, que mais tarde deram origem às vilas e cidades. Se a intenção era formar o operariado rural, o que realmente aconteceu foi a formação de pequenos proprietários.
O noroeste do estado, zona próspera no começo do século e a fertilidade das suas terras para a produção do café ( maior produto da balança financeira da época) gerava emprego aos imigrantes, entre eles os italianos. Esses não eram os maiores apreciadores das zonas novas. Mais afinados com os grandes centros urbanos e industriais, ou com as velhas zonas dos latifúndios cafeeiros, se avolumavam em São Paulo, Ribeirão Preto, São Carlos, Mogiana e Paulista. Poucos vieram para esses lados.
Com a instalação da estrada de ferro, o movimento migratório se volta para essa região. Manoel Bento da Cruz, possuidor de grande extensão de terras, atrai trabalhadores, pagando-os com terras, com o intuito de fixá-los por aqui. Instalada a nova estação, desembarcam dos trens muitas famílias, a fim de tornar-se proprietários, ainda que pequenos.
Desses imigrantes, que para cá vieram, uns foram para a zona rural e, depois da queda do café, se dedicaram à policultura e à pecuária. Os que ficaram na cidade, se dedicaram ao comércio - bares, pensões, empórios, açougues - e pequenas indústrias - bebidas, móveis, calçados, curtumes. Algumas se modernizaram, outras desapareceram. Umas pertencem a outros grupos e outras já nem existem mais. Ao contrário das fazendas, que na grande maioria, continuam nas mãos das mesmas famílias que as abriram.
sexta-feira, 1 de maio de 2009
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